quinta-feira, 28 de julho de 2011

DIÁRIOS DO AUTO EXILIO...

Durante três anos vivi nos EUA, mais precisamente do final de 98 até 2001. Os motivos que me levaram até lá foram os de sempre, falta de grana e perspectiva aos 45 anos de idade, males que acometeram muitos quarentões daquela época, deixando-os fora do mercado de trabalho. Não só eu, mas muita gente da minha geração tentou o "american dream", alguns por via digamos, pouco ortodoxas.

Mas entrei pela porta da frente, com um contrato de trabalho e um visto legal. Quando voltei e ao longo dos anos, fui me dando conta que havia presenciado alguns dos mais representativos fatos da vida econômica, política e social americana recentes como o final dos anos Clinton, a eleição fraudulenta de George W. Bush e o 11 de Setembro. Sim, eu estava lá..

Mas, o mais importante, tinha conhecido e convivido com o mundo subterrâneo americano, a vida dos ilegais que sustentam grande parte da economia ianque, suas manobras e exercícios de sobrevivência, uma luta violenta, surda e silenciosa que ocorre logo abaixo da aparente normalidade do american way of life. De tanto contar as minhas aventuras e desventuras em plagas do Tio Sam, alguém me sugeriu que colocasse isto no papel.

Reuni minhas lembranças e anotações esparsas em pedaços de papel e logo tinha um calhamaço de mais de 200 páginas. Ali registrei meu encantamento inicial com a vida americana, a aparente riqueza infinita (anos Clinton, lembrem-se bem...) e os primeiros problemas de adaptação ao dia a dia em terras estranhas. Por fim, um certo desencantamento - ou maior capacidade crítica - que culmina com o atentado do 11 de Setembro e a volta ao Brasil.

Daria um livro, por certo, mas aí eu esbarraria num problema, a exposição desnecessária de algumas pessoas que me são caras e ainda se encontravam lá, vivendo a dura realidade da vida clandestina. Passou-se o tempo, desisti de registrar em livro, mas vez por outra os "fantasmas" voltavam a me assustar. Era preciso exorcizá-los de alguma maneira e a que encontrei inicialmente foi criando um blog, o “Diários do Auto Exílio”.

Por fim, não há aqui nenhuma intenção dos “Diários” em servir como guia ou referencia a quem quer que seja. É apenas o depoimento de alguém que viveu à sua maneira o sonho americano e aqui expõe as entranhas, com suas ilusões, esperanças e eventuais desencantos.

Espero que gostem.

(foto arquivo pessoal)

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